Bueno: comida japonesa tradicional em um isakaya paulistano



picture-1Apos fumar um cigarrinho básico acompanhado por um horrível café de máquina da tok-take, virei para mim mesmo e pensei “Por que não saborear um shochu com os amigos?”. Combinei para o dia seguinte.

Pensamos no A1 do top Center, mas acho lá meio careiro; resolvemos ir ao Bueno. A entrada é meio escondida, ao lado da bagunça do Asuka: um portão de madeira negra sem qualquer placa ou campainha que dá um ar de “lugar fechado”. Ambiente familiar, limpo e cheio de japonesada roots.

Uma vez lá dentro, recepcionados por um caloroso irashaimacê (bem vindo) pelos funcionários no balcão, resolvemos subir e pegar uma mesa pois estávamos em 5 pessoas e o balcão não é ergonômico para uma conversa em grupo.

Chegamos já pedindo um Okonomiyaque (mistureba de repolho, maionese, katsuobushi – peixe seco – e, a moda Bueno, com abóbora – muito saboroso!), Kara-aguê (frango frito meio-o-que polvilhado na farinha) e Gyutan (língua de boi grelhada – você vai se surpreender com o sabor!) para começar a forrar o estômago, devidamente acompanhados por uma garrafa de shochu básica.  Enquanto esperávamos, conversamos sobre a vida leviana que a bohemia acarreta… Na verdade, falamos sobre o besteirol do dia a dia.

Logo após a chegada dos kitutes iniciais, já emendamos dois Inaka-meshi (bibimpá, prato originalmente coreano: arroz, moyashi, cenoura, etc… misturados na panela de pedra com molho picante) uns oniguiris de umeboshi e shake. Nosso amigo gordão pediu um Tchanko Nabe de frango com shimeji (cozido meio sopão de frango, cebolinha, shimeji, etc. – há vairos tipos, vale muito a pena experimentar).

O Tchanko Nabe vale mais a pena ainda porque ao terminar os cozidos, você pode pedir udon ou arroz para misturar e aproveitar o caldinho… Satisfaz com gosto o mais dos gordões! E, como é cozido, não deixa de ser um prato relativamente light – digo relativamente, se é que você me entende.

Como o foco foi a comida e não a bebedeira, nossa garrafa ainda tinha um terço de shochu. Deixamos ela para ser guardada no bar e, o detalhe legal  em deixar a garrafa é que você ganha canetas-escreve-em-tudo para personalizar e identificá-la: há umas garrafas com uns desenhos muito bons! E ter uma garrafa no lugar, é sempre uma excelente desculpa para voltar.

Prós
- Comida caseira caprichada com preço mais do que justo.
- Ambiente japa-roots; você se sente em um legítimo isakaya do Japão em plena São Paulo.

Contras
- As porções são, muitas vezes, mirradinhas e não tapam nem o buraco do dente de gordões.
- Às vezes está muito cheio, pois o espaço é pequeno apesar de ter dois andares.

Dicas
- Sente no balcão (o melhor ambiente da casa) e pergunte sobre o cardápio diretamente para o Sumotori!! O cara entende sobre o que gordões curtem.
- Feche logo uma garrafa de shochu que a dose não vale a pena. E shochu desce como água.
- Peca um kara-aguê de entradinha… Você não vai se arrepender, um dos melhores que já comi.

Curiosidade
A casa foi aberta e ainda é tocada por dois irmãos ex-sumotoris. Eles chegaram a lutar no Japão, mas pelo visto viram que comer é muito melhor que dar tapa em gordões de fralda… E o Tchanko Nabe é o que um verdadeiro sumotori mais come!

Preços (21/08/08) – na casa dos R$30,00, sem contar o shochu
Okonomiyake: R$22,00 (dá para dividir em várias pessoas, como petisco – serve razoavelmente 2 pessoas)
Tchanko Nabe: R$16,00/R$15,00 (por pessoa – com a finalização com Gohan ou udon, o negócio rende!)
Gyutan Shiyo: R$8,00 (petisco mínimo, 6 fatias grelhadas de língua de boi –experimente!)
Picanha: R$15,00 (fatiada fininha para saborear com shoyu e wasabi – sim, é muito bom, por mais inacreditável que pareça)
Inaka Meshi: R$14,00
Entradas: R$8,00 a porção ou R$16,00 3 porções (você pode escolher no balcão o que mais te atrai: kara-aguê, tofu com porco, kinchi, etc…)
Garrafa de Shochu: R$100,00 a R$120,00 (pegue o Tensonkourin, shochu de batata muito bom – tem também Kaido, Shiro, etc…)

Endereço
São Paulo, Liberdade, Rua Galvão Bueno n458 (Tel: não lembro)

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Sobre o autor

Apenas mais um descendente de japoneses por lado de pai e mãe (sansei - terceira geração) que adora a cidade de São Paulo e gosta de fuçar na web. Apesar de "alfanalbético", sempre está disposto a escrever alguma besteira relacionada aos nossos amigos do país do furikaki. Twitter @seijis