Sansei: japa como a gente



bandeira_brasil_japaoTodo mundo sabe que o Brasil é o país do futebol e do samba (país da corrupção, malandragem, etc são títulos extra-curriculares) e agora após todas as festividades dos “cem anos de migração japonesa”, muita gente também sabe que aqui é o país dos nipos-not-made-in-japan sendo a maior muvuca de japoneses e descendentes fora do Japão do mundo.

A população de japoneses e descendentes estimada em 1,5 milhões se concentra nos estados de São Paulo e Paraná onde é possível encontrar com a metade da japonesada. Desse povo todo, 13% é issei (nasceu no Japão), 31% é nissei (filho de japonês), 41% é sansei (neto de japonês) e 13% é yonsei (bisneto de japonês). O resto não é “não-sei”, mas gossei (dois “S”, por favor), rokussei, etc. Imagino que se você é de São Paulo ou Paraná, deve ter pelo menos um amigo nipônico ou como no meu caso, é o próprio nipônico.

Como membro da “categoria neto de japoronga”, sinto-me meio que obrigado a explicar algumas coisas sobre a japonesada de São Paulo capital:

Bairro da Liberdade

Reduto oriental de São Paulo com aquele ar das tantas “china towns” espalhadas mundo a fora não é composta só de japonês. Sim, tem muito restaurante, comércio e residências da terra dos samurais por lá, mas não é só porque o camarada tem olho puxado que você já deve deduzir que se trata de um japonês: chineses, coreanos, tailandeses, etc também habitam o bairro. Eu mesmo não tenho nenhum amigo que more na “Liba”.

Balada Japa ou Japoteca

Como a colônia é muito unida, existem várias baladinhas voltadas ao público oriental. Veja algumas nas quais você pode trombar comigo:

Mortos Vivos: Galera teoricamente mais velha (quando moleque, nego com 20 anos era tio pra mim) cuja festa mais interessante acontece na “Mansão Calipso” lá na zona sul perto da represa guarapiranga… Rolê desgraçado.

Memphis: Feita no espaço Memphis em moema, também reúne a galera das antigas com músicas mais sossegadas como bandinha e viola acústica. Mas no final sempre tem um putz-putz pra “animar a festa”.

Rez: Esta aqui tem um público mais “universitário-colegial” que dá um ar mais jovial, sempre regada por techno. Chega de “poperô”…

Matemática

Nem todo japa é gênio da matemática: semana passada na starbucks pedi dois cafés do dia (R$4,20 cada) e dei uma nota de vinte. O atendente que por acaso era nipônico me soltou: “Hmmm 2 vezes 4,20 menos 20… hmmm.. tcho achar uma calculadora”. No final das contas ele me deu 15,60(?!) de troco… Meu amigo que estava ao meu lado fez careta e eu só consegui colocar o troco no bolso e falar “Tá tudo certo, ele é japa”… 

Bem, existe muito mais coisa para divagar e detalhar, fica para um próximo dia.

Dados demográficos: IBGE

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Sobre o autor

Apenas mais um descendente de japoneses por lado de pai e mãe (sansei - terceira geração) que adora a cidade de São Paulo e gosta de fuçar na web. Apesar de "alfanalbético", sempre está disposto a escrever alguma besteira relacionada aos nossos amigos do país do furikaki. Twitter @seijis